Consagração, Serviço e Ação de Graças

segunda-feira, julho 26, 2010 by Nério Júnior
Texto Bíblico Básico: Efésios 2.13-18
Texto Áureo: Salmo 54.6

Deus deu as instruções sobre o cerimonial de Levítico, que representa todos os detalhes da obra de Jesus Cristo na cruz. Este sistema de sacrifícios foi ordenado por Deus e foi colocado no centro e no coração da vida da nação judaica. O que quer que os judeus pensassem, naquela ocasião, por causa do sacrifício contínuo de animais, e o fogo ardendo continuamente no altar do holocausto, não há nenhuma dúvida de que era Deus quem estava impregnando nos corações de cada homem, uma consciência do pecado de cada um.
A tipologia de Jesus no livro de Levítico está nas cinco ofertas no Dia da Expiação e nas festas do capítulo 23. Propriamente no capítulo 23, a parte mais interessante é a oferta das primícias.
As cinco ofertas são descritas nos capítulos 1 a 7 e explicam tudo que foi realizado no Calvário. Formam um todo, mas podem ser estudadas separadamente, assim será dada maior atenção aos pormenores.



1 – O Holocausto – Sacrifício de Consagração (Lv 1.1-17; 6.8-13; 7.8)
O ofertante deveria doar pessoalmente um animal macho sem defeito para ser sacrificado. Colocava as mãos sobre a cabeça do animal transferindo naquele ato simbólico s sua vida que deveria ser tirada como oferta ao Senhor. Como o objetivo desse sacrifício não era o perdão de pecados não havia confissão.
No holocausto eram permitidas quatro espécies de animais:
a)novilho,
b)carneiro,
c)bode,
d)aves.
Esta diferença era por causa da condição financeira do ofertante. Aplica-se na vida espiritual, ao grau de compreensão, ou à idéia que o crente tem da pessoa de Cristo.
Oferece uma oferta tipificada pelo pombo, o crente que tem uma idéia fraca de Cristo. Só sabe que é do Céu (as aves são do céu), porém não se desenvolve no testemunho. Sabe que vai também para o Céu, mas esquece a vigilância e o serviço a Deus.
O cabrito é a vida espiritual de quem só aprendeu que Jesus é o bode expiatório, sofreu por nós. Tal crente aceitou a salvação e sabe que nós temos de sofrer neste mundo, mas não se lembra de que Deus é "...de toda a consolação" (2 Co 1.3b).
Outros crentes vêem Jesus Cristo um pouco maior. Oferecem um carneiro. Têm-no como o "Cordeiro de Deus". Às vezes até evangelizam. Quem oferece pombos ou cabritos, não experimenta a consolação de Deus, não se lembra do amor aos perdidos nem do dever de evangelizar.
O holocausto com um novilho é compreendido pelo crente que vê Cristo como o servo, que veio servir. E procura manter o mesmo sentimento que houve nele (Fl 2.5). O boi gasta sua força para servir, arrastando um carro, um arado, ou outro objeto que dê lucro aos homens. Entrega seu corpo todo para proveito da humanidade. A carne, o couro, os chifres, os ossos, o estéreo, os nervos, e tudo mais são industrializados para dar alimento, conforto e vantagem ao homem neste mundo. O crente espiritual vê Jesus Cristo como o boi, e segue o exemplo, paciência e serviço. Este tipo de crente é mencionado nas palavras; "...Espalhou, deu aos pobres: a sua justiça permanece para sempre" (2 Co 9.9b).
O Salmo 40 é o Salmo do holocausto. Ali aparece o louvor da alma, apreciando este aspecto da obra de Jesus Cristo.
Era diferente das outras quatro, porque nela a carne da vítima era toda queimada. Representa a consagração pessoal.
Um exemplo se acha nas igrejas da Macedônia que "...não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus" (2 Co 8.5). É a consagração completa do próprio ser, para a obra de Deus.
Tipifica a obediência perfeita de Cristo
a) Jesus foi tentado a evitar aquele propósito: por Satanás (Mt 4.8), pelos discípulos (Mt 16.21-23) e pelo povo (Jo 6.15).
b) Jesus fez a vontade do Pai (Lc 2.29; Jo 4.30; 5.30; 6.29; Hb 10.7).
c) Jesus teve um propósito fixo (Lc 9.5; 22.42; Jo 18.11).
Tipifica uma entrega voluntária
Assim como o animal ele se entregou voluntariamente á vontade do Pai para o sacrifício de morte.
Aceito por Deus Lv. 6.10
As cinzas do holocausto eram colocadas na extremidade oriental do altar e evidenciavam que o sacrifício fora aceito, pois foi totalmente consumido.
O Cheiro suave de Cristo 2 Co. 2,14 – 16
Nossa vida em retidão e santidade é tal qual o holocausto, subindo para Deus envolta no cheiro suave de Cristo.


2 - A Oferta de Manjares (Lv 2.1-16; 6.14-23; SI 16)
Eram levadas ao sacerdote que queimava uma parte ao Senhor e a outra parte servia de alimento para o sacerdote e sua família.
É diferente das outras quatro em cinco pontos:
a) Não era uma vida.
b) Não tinha sangue.
c) Não recebia imposição de mãos.
d) Não havia substituição.
e) Não era pelo pecado.
Por a mão na cabeça representava identificação do ofertante com a vítima. Na oferta de manjares, não havia substituição do culpado por um inocente.
Esta oferta representa a consagração dos bens. Era um presente, uma dádiva de gratidão a Deus.
Consistia em alimentos: flor de farinha, óleo, sal e espigas tostadas. Junto com estes vinha o incenso. Não era uma coisa rara, mas uma substância que todos podiam ter em casa.
1 - Flor de farinha, a melhor farinha. Para chegar àquele ponto, era preciso esmagamento do trigo, que lembra o sofrimento de Jesus. Era pura, sem fermento assim como o nosso coração deve ser puro.
2 - Óleo ou azeite representa o Espírito Santo (At 10.38; Hb 1.9). Representa também consagração e alegria. Não podemos servir a Deus com tristeza.
3 - Incenso representa a oração (SI 141.2; Lc 1.10; Ap 5.8). No altar o incenso produzia um cheiro forte substituindo o cheiro das carnes mortas para o sacrifício. Quando o sacerdote entrava no lugar Santíssimo a fumaça que o incenso produzia escondia a vista da glória de Deus. (Ex. 30.10)
4 - Sal, purificação e preservação. Significa que a consa­gração não é temporária, é eterna e incorrupta. Simboliza o Espírito Santo que nos conserva vivos e produtivos.
Eram proibidos
1 - Fermento, que sempre na Bíblia tem sentido de maldade, coisa rejeitada por Deus, pois sua ação altera a constituição da massa original e apresenta um falso crescimento (Ver 1 Co 5.7-8).
2 - Mel, coisa agradável e nutritiva, mas que, sob a influência do calor, azeda. Representa os sentimentos naturais, a bondade humana que nem sempre permanece.
Em Jesus Cristo havia mais que os sentimentos naturais.
Era o amor divino, santo, aplicado ao homem, "...tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13.1b).
Só o amor de Deus em nossos corações pode fazer existir em nós os sentimentos aprovados por Ele.
Em relação a Jesus Cristo, a oferta de manjares fala de sua perfeição. O santo se tornou homem perfeito, sem pecado nem falta.
Também faz lembrar Jesus como o pão da vida, o pão que desce do Céu para nos alimentar.
A pessoa de Jesus é ligada à sua obra. O holocausto, com sangue, redimiu o pecador, e a oferta de manjares com sua per­feição alimenta e sustenta os que foram salvos pelo sangue.
A humanidade de Cristo não terminou com a morte na cruz. Ele continua sendo homem perfeito e santo, "...há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem'' (1 Tm 2.5).


3 - A Oferta Pacífica (Lv 3.1-17; 7.11-34; SI 85)
Diferente de todas as outras, porque nela o ofertante comia uma parte. Na de holocausto tudo era queimado para Deus. Nas outras três, o sacerdote tirava uma parte para si e seus filhos.
Representa a oferta pacífica - a comunhão com Deus.
Nesta oferta podia ser trazido para sacrifício:
- um novilho ou novilha (3.1-5);
- um cordeiro (3.6-11); - uma cabra (3.12-16).
Não era permitido o sacrifício de pombos, como na do holocausto.
O pombo ou rolinha era de menor valor financeiro. Espiritu­almente tem aplicação ao crente menos desenvolvido no conheci­mento de Jesus Cristo. O crente que só sabe que Jesus é do Céu e que vai encontrar com Ele no Céu, não cresceu. Não aprendeu a servir, não produziu o fruto do Espírito, não tem paz. Tal crente não faz a oferta pacífica.
Jesus Cristo cumpriu o sentido da oferta pacífica “Porque Ele é a nossa paz..." (Ef 2.14a). "...Por Ele é feito a paz pelo seu sangue..." (Cl 1.20a).
O peito era comido pelo sacerdote (7.30,31). Peito, lugar de afeição. Somos agora sacerdotes e nos alimentamos do amor de Cristo que nos dá a paz.
A espádua direita (7.32) também pertencia ao sacerdote. A força representada pela espádua é o poder que vem do Senhor Jesus, para seus servos realizarem a obra do testemunho neste mundo.
O sangue pertencia a Deus (v 20). O sangue trouxe o perdão dos pecados. Não pode haver comunhão sem perdão. O sangue de Jesus Cristo nos purifica. O ato de comer uma parte da oferta lembra o significado da Ceia do Senhor. Recebendo pela fé o que Jesus realizou na cruz, temos paz com Deus.
O crente tem obrigação de buscar a paz se quiser experi­mentá-la. Outras pessoas não podem estragar a minha paz. "Aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a" (1 Pe3.11). "Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus... guardará os vossos corações..." (Fl 4.6,7b).

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