Até que ponto a mídia te manipula

quarta-feira, fevereiro 23, 2011 by Nério Júnior
Muita gente diz por aí que a mídia só nos oferece coisas negativas. Discordo dessa afirmação mas hoje vou citar um Manipulaçãotrecho de Stalimir  Vieira no livro Raciocínio Criativo na Publicidade.
Somos todos, de uma maneira ou de outra, vítimas de uma brutal interferência da mídia em nossas vidas, da difusão de dados organizados de forma a induzir-nos a procedimentos que atendam a interesses comerciais ou políticos. Ou seja, a mídia, aqui, é a manipulação da vontade dos outros.
Quando você liga sua rádio preferida de rock, o locutor fala rápido, num tom apocalíptico, cheio de efeitos sonoros, sobre um show que "você não pode perder". Sua mente recebe um pacote pronto de informações a respeito de algo que, a princípio, lhe interessa. Todos os qualificativos são utilizados, acrescidos de possibilidades fantásticas de prazer e indicativos de perda e exclusão social, caso você não vá (do tipo "quem perder tá fora"; "quem não for dançou"; ou, pior, "só 'bundão' fica em casa"). Parece mesmo que aquele cara é assim, fala desse jeito, o texto lhe é natural, mas, na verdade, todo o texto e sua forma de ser apresentado é um produto elaborado para negar a possibilidade de reflexão. A carga de informação oferecida em pouco tempo, com ênfase em determinadas passagens, inclusive repetidas vezes, segue o princípio do camelô. O camelô sabe que seu produto não se sustenta ao primeiro questionamento independente.
Então, fala sem parar das "qualidades" de seu produto, enaltece com entusiasmo os benefícios, impedindo qualquer raciocínio do potencial comprador.
Voltando ao nosso show de rock, digamos que você aceitou, "sem  pensar", a mensagem e foi até lá, onde milhares de watts e centenas de decibéis continuam a impedir que você pense; algumas garotas ou garotos atraentes, muitas cervejas (em alguns casos, um baseado ou uma carreira de cocaína), tornam você ainda menos reflexivo e mais instintivo. Bêbado, excitado e, quem sabe, drogado, você estará parecendo mais um bicho do que gente. Ao final da noite, depois de vomitar um bocado pelas calçadas, será deixado em casa, onde vai "apagar" por umas 24 horas. Mais 24 horas sem pensar. Então, vai acordar com uma cara horrível e, imediatamente, ligar a televisão na MTV e ver um monte de sujeitos com a mesma cara que você está agora, tocando e cantando. E você se sentirá aliviado, apesar da dor de cabeça, por estar avalizado pela mídia. É isso: a mídia usa e ampara. Porque ela não quer perder você. Na verdade, é você quem está perdendo a si mesmo, na medida em que sua segurança não se baseia mais em sua própria capacidade de reflexão, mas apenas nos estímulos que a mídia lhe oferece.

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