Quando eu era Religioso

quinta-feira, dezembro 29, 2011 by Nério Júnior
Uma noite especial para aquele povo. Convidados de vários lugares chegavam vestidos impecavelmente. Os homens com roupas bem formais conforme o status que tinham. Os de mais alto nível vestiam-se com ternos  e sentavam-se em um lugar de honra chamado "altar". As mulheres com longas saias ou vestidos, cabelos enormes, não tinham a honra de se sentarem ao lado de seus maridos no altar.
Naquela noite aqueles homens falavam a respeito de um tirano e vingativo que eles chamavam de Deus. Diziam que se a platéia não seguisse os padrões que eles ensinavam, estavam condenados ao inferno. Falavam que Deus odiava a vaidade e quem era vaidoso era do diabo. Algumas coisas que eles chamavam vaidade eu considerava higiene e isso me deixava intrigado, afinal Deus queria que fossemos feios, de mal parecer?
Falavam também a respeito do batismo de fogo, o qual somente os de maior status e os considerados mais santos podiam receber. Se algum dos da platéia tivesse sinais do batismo de fogo era considerado  possuído por demônios.
Mesmo dia a dia convivendo com aquelas pessoas não consegui me adaptar aos padrões que eles seguiam, razão pela qual preferia ficar em casa assistindo TV a me juntar a eles. Foi assim por alguns anos.


A minha alma vazia e cansada clamava por satisfação e não via outra solução a não ser aquela que tinha ouvido a minha infância toda: seguir os padrões daquele povo para agradar a Deus e quem sabe alcançar a felicidade.
Com 13 anos de idade resolvi voltar e me juntar a eles. Participei, obedeci, fui em todas as reuniões, condenei radicalmente quem fazia diferente de mim. Me tornei como eles: santos ressentidos. Por fora era impecável, mas por dentro era podre, era triste, era vazio, era egoísta, me achava superior.
O tempo foi passando e o vazio só aumentava, nada fazia sentido, não me sentia amado por Deus, fui me afastando daquele povo e minha vida só piorava. Um dia fui convidado para uma reunião, que eles chamavam de célula, perto de casa. Chegando lá fui recebido com muitos abraços, abraços tão sinceros que me fizeram sentir amado. Falaram a respeito de Deus de uma forma que eu não conhecia, um Deus que me amava e, mesmo sendo tão pecador, Ele poderia mudar minha vida, me amar e me fazer feliz. Aquele povo que era totalmente diferente do que eu fui ensinado, que apesar de cuidarem do seu corpo e do seu jeito de vestir tinham humildade, que apesar de não se vestirem formalmente exalavam amor de Deus me fez perceber o quanto eu estava errado a respeito de Deus, o quanto tempo eu perdi sendo um religioso hipócrita, um legalista. Daquele dia em diante eu me abri a conhecer Deus como Ele realmente é e minha vida nunca mais foi a mesma.

Próximo post vou contar como foi minha experiência com o Espírito Santo.


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