Marco Feliciano - O Destaque de 2013

terça-feira, dezembro 31, 2013 by Nério Júnior
Ele não foi condenado em nenhuma instância, não foi julgado por nenhum tribunal mas mesmo  assim se tornou a personalidade mais comentada do ano de 2013 acusado pela opinião pública como homofóbico e racista devido às suas manifestações a respeito desse e de outros assuntos delicados.

Conferencista internacional, pastor e deputado federal (PSC/SP), Marco Feliciano é de Orlândia, São Paulo. Nascido em 12 de outubro de 1972, filho de José Antonio Novo (in Memorian) e Lucia Maria Feliciano, teve uma infância humilde e desde muito pequeno precisou trabalhar como vendedor de picolé para ajudar na manutenção da casa.
Ainda criança, aos oito anos, abraçou o sonho do episcopado, foi coroinha da igreja Cristo Rei e aos 11 anos converteu-se à fé evangélica. O desejo no coração de conhecer mais a Deus o levou a uma busca profunda do conhecimento do Senhor. Formou-se no curso de teologia da faculdade FAETEL, fez pós-graduação no Seminary Hosanna and Bible School, Corp. e Doctor in Divinity Mestrado em Teologia com honras. Escreveu e publicou 18 livros destacando-se “Ouse Sonhar” lançado pela editora Thomas Nelson.
Eleito pelo Partido Social Cristão (PSC) em 2010 com 212 mil votos, foi o segundo político evangélico com maior número de votos no país e o 12° entre os 70 deputados eleitos pelo estado de São Paulo propondo a defesa dos valores cristãos para a sociedade. Já eleito ele chegou a afirmar na Expocristã em 2012 que tem o sonho de ser Presidente da República.
Em março de 2013, ele foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil.

Polêmicas

Como preletor evangélico Feliciano tem centenas de mensagens gravadas durante anos em áudio e vídeo distribuídas em DVDs, CDs e hospedados em sites da internet. Assim como grande parte das lideranças evangélicas não é a favor do casamento homossexual e do aborto. Diante disso várias declarações polêmicas foram usadas com o objetivo de denegrir a imagem de Feliciano como deputado. Porém o auge das acusações se deu quando foi indicado para presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Apesar de todos os esforços dos deputados Jean Willis (PSOL), Luiza Erundina (PSB) e Erika Kokay (PT), o deputado e pastor Marco Feliciano, foi eleito e oficializado como presidente da Comissão assumindo a presidência da Comissão pelo período de um ano. Esses parlamentares tentaram, por meio de questões de ordem e revisões de ata, barrar regimentalmente a posse do religioso na presidência do órgão colegiado.

Em outras ocasiões, o deputado causou polêmica no Twitter com algumas afirmações.

 “A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”
“A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição”.

Pressionado para que renunciasse à presidência da Comissão de Direitos Humanos ele afirmou que  a presidente Dilma, sendo contra sua permanência na comissão, jogaria fora o apoio dos evangélicos, que é não é pequeno, para a reeleição em 2014 por não o apoiar

Em abril outra polêmica sobre o deputado vem a tona. Um vídeo antigo de uma mensagem de Marco Feliciano começa a ser divulgado. No vídeo Feliciano diz que Deus ‘matou’ John Lennon e Mamonas Assassinas por 'debocharem' de Deus.

 “Até hoje há uma interrogação do que aconteceu ali para os homens. Eu sei o que aconteceu ali. O avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus. Lá na Serra da Cantareira, ao invés de virar para um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças"

Em junho numa sessão presidida pelo deputado Marco Feliciano a proposta apelidada pela mídia de "cura gay" foi colocada em votação após várias semanas de adiamento causada por protestos e manobras parlamentares contra o projeto. De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), a proposta pedia a extinção de dois artigos de uma resolução de 1999 do conselho. Um deles impede a atuação dos profissionais da psicologia para tratar homossexuais. O outro proíbe qualquer ação coercitiva em favor de orientações não solicitadas pelo paciente e determina que psicólogos não se pronunciem publicamente de modo a reforçar preconceitos em relação a homossexuais.
Nesse momento a mídia se voltou ao assunto levando os mais desinformados a acreditar que se tratava de um projeto para obrigar os gays a fazerem um tratamento como se homossexualismo fosse doença.
Coincidente com a época das grandes manifestações contra o governo, o assunto foi para as ruas onde se viam muitos jovens, com cartazes pedindo o fim da "cura gay" e a expulsão de Feliciano dos seus cargos políticos. No fim das contas o projeto foi engavetado com a promessa de que voltará em 2015.

 Em setembro no evento Glorifica Litoral, evento gospel realizado em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo duas jovens de 18 e 20 anos de idade que dizem ser namoradas foram expulsas depois de se beijarem durante a pregação do deputado como forma de protesto. Após acionar a segurança, Feliciano afirmou que elas 'não têm respeito ao pai, à mãe e à mulher'.

"A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí. Isso aqui não é a casa da mãe joana, é a casa de Deus"

Feliciano termina seu mandato de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias sob fortes críticas dos ativistas gays e deixa um aliado como um dos mais cotados para assumir a presidência da comissão, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO).
Em seu mandato a presidência conseguiu debater 20 projetos a mais que o presidente anterior. De março à novembro os parlamentares que fazem parte da CDHM discutiram 28 propostas, das quais 11 foram aprovadas e 13 apensadas aos 11 textos originais. Em 2012 a CDHM debateu apenas 8 projetos e nenhum deles foi aprovado.



Mito

Movimentos como Fora Feliciano e Feliciano me Representa ajudaram a alavancar a popularidade do deputado e de quem se aliava ou o atacava. Líderes evangélicos que se opunham a Feliciano passaram a apoiá-lo e celebridades como Daniela Mercury pegaram carona na popularidade dos movimentos prós e contra Feliciano.
Seu partido saiu fortalecido para as eleições de 2014 com novas filiações, novos cargos no governo e com uma expressiva notoriedade.

“O povo percebeu que sou um político com posicionamento. Que defendo com unhas e dentes o que acredito”


Fontes: Globo.com / Veja / Época / Ig / Terra / Gospel+ / Gospel Prime / Youtube

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