A Cura Para o Ódio

terça-feira, julho 15, 2014 by Nério Júnior
Onde a graça de Deus é omitida, nasce a amargura. Porém onde a graça de Deus é abraçada, floresce o perdão. Na carta que muitos acreditam ser a última de Paulo, ele instiga Timóteo: “Fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2 Tm 2.1).
Quão criteriosa é esta última exortação. Paulo não insta com Timóteo a que seja forte na oração, ou no estudo bíblico, ou na benevolên¬cia, por mais vital que seja cada uma destas coisas. Ele quer que seu filho na fé especialize-se em graça. Reivindique este campo. Apoie-se nesta verdade. Se você deixar passar algo, que não seja a graça de Deus.
Quanto mais passeamos no jardim, mais semelhante ao das flores é o nosso aroma. Quanto mais imergimo-nos na graça, mais graça concedemos. Poderia isto ser a chave do mistério para o fim da ira? Poderia ser que o segredo estivesse não em exigir pagamento, mas em considerar o pagamento do seu Salvador?
Seu amigo quebrou a promessa? Sua patroa não manteve a palavra? Sinto muito, porém antes de tomar uma decisão, responda: Como Deus age, quando você quebra uma promessa feita?
Você tem sido ludibriado? Isto fere. Porém antes de cerrar o punho, pense: Como Deus reage quando você falha com Ele?
Você tem sido negligenciado? Esquecido? Deixado atrás? A rejeição fere. Mas antes de tirar desforra, seja honesto consigo mesmo: você nunca negligenciou Deus? Você tem atendido sempre a sua vontade? Ninguém de nós o tem feito. Como Ele reagiu quando você o negligenciou?
A chave para perdoar os outros é deixar de focalizar o que eles lhe fizeram, e começar a concentrar-se no que Deus fez por você.
Mas isto não é justo! Alguém tem de pagar pelo que ele fez.
Concordo. Alguém tem de pagar, e Alguém já o fez.
Você não entende. Este sujeito não merece graça. Não merece misericórdia. Ele não é digno de perdão.
Não estou dizendo que ele seja. Mas, você é?
Além do mais, que outra escolha você tem? Ódio? A alternativa não é atraente. Veja o que acontece quando nos recusamos a perdoar: “E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia” (Mt 18.34).
Servos imperdoadores sempre acabam na prisão. Prisão da raiva, da culpa, da depressão. Deus não nos põe numa cela; nós mesmos a criamos. “Um morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e sossegado... E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo provado do bem” (Jó 21.23-25).
O fardo da amargura é pesado demais. Seus joelhos dobrar-se-ão sob a carga, e de desgosto partir-se-á seu coração. A montanha à sua frente já é bastante íngreme sem a opressão do ódio em suas costas. A escolha mais sábia — a única escolha — é você arriar o fardo do ódio. Você nunca será solicitado a dar a alguém mais graça do que Deus já lhe tem dado.
Durante a guerra mundial, um soldado alemão pulou para dentro de uma trincheira em desuso. Ali, encontrou um inimigo ferido. O soldado abatido estava encharcado de sangue, e a poucos minutos da morte. Comovido com a situação do homem, o soldado alemão ofereceu-lhe água. Por este pequeno gesto de bondade, um vínculo foi estabelecido. O moribundo apontou para o bolso de sua camisa; o soldado alemão tirou dele uma carteira, e encontrou alguns retratos de família. Ele os segurou de modo que o homem ferido pudesse olhar para seus amados uma última vez. Com as balas zunindo acima deles, e a guerra à sua volta, esses dois inimigos foram, embora por poucos minutos, amigos.
O que aconteceu naquela trincheira? Cessou todo o mal? O que era errado tornou-se direito? Não. O que aconteceu foi simplesmente isto: dois inimigos viram-se um ao outro como humanos, precisando de ajuda. Isto é perdão. O perdão começa por levantar-se acima da guerra, olhar além do uniforme, e escolher ver o outro, não como um adversário, ou mesmo um amigo, mas simplesmente como um companheiro combatente, ansiando pela segurança do lar.


Fonte: Nas Garras da Graça - Max Lucado



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