Eu Também Sou Minoria

    Um dos grandes espetáculos de ser humano é que não existem iguais, apenas semelhantes. E um dos grandes problemas é a falta de respeito que se têm com quem pensa diferente.
    Quando entrei na escola em 1991 fazia parte de uma minoria de 9% de brasileiros que professava a fé evangélica. Em casa meu pai se dizia católico não praticante mas toda semana eu ia na igreja evangélica com minha mãe onde aprendi os primeiros princípios de fé. A primeira diferença que notei quando cheguei na escola foi a oração do Pai Nosso que era feita em palavras diferentes e logo após o término era feito o sinal da cruz. Apenas eu e Tatiane não fazíamos o sinal da cruz na sala de aula, o que para uma criança era constrangedor, pois nos fazia sentir diferentes.
    Aos poucos fui me acostumando e quando ia passando de série se agregavam mais colegas evangélicos ao clã dos religiosamente diferentes. O grande problema era que esses colegas eram de outras igrejas o que não nos permitia estar em contato fora da escola como os católicos que participavam da mesma paróquia e frequentavam as festas, reuniões e eventos em comum.
    Mais tarde veio a discriminação. Fiquei sabendo que meus colegas católicos aprendiam na catequese que ser evangélico era tipo uma abominação contra a “única” igreja criada por Deus, o que resultou em muitos comentários negativos sobre minha fé. Pelo fato de eu ir pra igreja com a Bíblia na mão era chamado ironicamente de pastor. Nunca fui um exemplo de cristão a ser seguido na minha adolescência, acho que por isso me incomodava tanto o apelido de pastor pois sabia que minha vida não condizia com o “título” concedido por meus colegas. Até que um dia subi na mesa do professor e simulei uma pregação daquelas cheias de ira, fato que fez com que esse apelido fosse esquecido. O fato é que apesar de ser sempre minoria nunca precisei lutar por direitos especiais, apenas pelo respeito que é de direito a qualquer pessoa.
    Estima-se que hoje 25% da população professa a fé evangélica e a medida que o número aumenta, a discriminação avança. Na política há uma demonização dos evangélicos principalmente os que lutam contra as leis que afetam a família, os meios de comunicação negligenciam essa parcela da população, assim como o governo que apóia aprovação de leis que vão contra o estado laico, proibindo a pregação da Bíblia.
    Ainda assim eu prossigo minha caminhada continuo fazendo parte de algumas minorias, sempre respeitando o direito do próximo e tentando fazer com que os meus sejam respeitados.

 Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor
Efésios 4:2

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