A Volta do Filho Pródigo - O Filho Mais Velho

terça-feira, maio 10, 2016 by Nério Júnior
Continuando os comentários sobre o livro de Henri Nouwen  - A Volta do Filho Pródigo hoje falarei sobre como me vejo no filho mais velho.
O filho mais velho é aquele que mais me identifico, suas características insistem em reinar em mim: legalismo, justiça própria, indiferença. A Parábola do Filho Pródigo foi proferida logo após as críticas de Jesus aos fariseus que eram homens zelosos pelas leis religiosas, tão zelosos ao ponto de não reconhecerem que estavam diante do Filho de Deus.  Os fariseus precisavam aprender como funciona o amor de Deus, como o coração Dele está voltado para os pecadores.
Nouwen explicita bem os conflitos do filho mais velho em nós:
É difícil avaliar o desatino do “santo” ressentido, precisamente porque está intimamente ligado ao desejo de ser bom e virtuoso. Sei, por experiência própria, como me esforcei para ser bom, aceito, aprovado e um exemplo que valesse para os outros. Havia sempre o esforço consciente de evitar as armadilhas do pecado e o medo constante de ceder à tentação. Mas com tudo isso, havia uma seriedade, uma intensidade moral e até um pouco de fanatismo, que fizera com que fosse mais e mais difícil me sentir à vontade na casa de meu pai. Tornei-me menos livre, menos espontâneo, menos brincalhão e os outros começaram a cada vez mais me ver como alguém um tanto “pesado”.
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Quanto mais penso no filho mais velho contido no meu próprio eu, mais compreendo quão enraizada está essa fraqueza e como será difícil voltar para casa a partir daí. Parece muito mais simples voltar para casa depois de uma aventura sexual do que depois de um sentimento de raiva que reside no mais profundo do meu ser. Não é fácil distinguir o meu ressentimento e administrá-lo de maneira sensata.
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Será que o filho mais velho que existe em mim pode voltar para casa?
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Como posso voltar quando estou perdido em ressentimento, apanhado em cenas de ciúmes, prisioneiro da obediência e do dever que escraviza?
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Certamente alguma coisa tem de acontecer pela qual eu não seja responsável. Não posso renascer em condição inferior, isto é, com minha própria força, minha própria mente, minha visão psicológica. Não há dúvida em minha mente sobre isto porque no passado me esforcei para superar as minhas queixas e falhei... e falhei... e falhei, até que cheguei à beira de total colapso emocional e até mesmo de exaustão física. Só do alto pode vir a minha cura, de onde Deus se debruça. O que não é possível para mim é possível para Deus. “com Deus tudo é possível.”


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