A Volta do Filho Pródigo - O Filho Mais Moço

quarta-feira, maio 11, 2016 by Nério Júnior
Ao meditar na parábola do filho pródigo sempre olhava para o filho mais jovem com o olhar do filho mais velho, pensava que Jesus queria ali expor todos aqueles que abandonaram a casa do pai. Henri Nouwen em seu livro A Volta do Filho Pródigo discorre sobre a atitude do filho mais jovem:
Deixar a casa é, portanto, muito mais do que um acontecimento histórico limitado a tempo e lugar. É negar a realidade espiritual de que pertenço a Deus com todo o meu ser, que Deus me ampara num eterno abraço, que sou realmente moldado nas palmas das mãos de Deus e escondido nas suas sombras. Deixar a casa significa ignorar a verdade de que Deus me moldou “em segredo, tecido na terra mais profunda”. Deixar a casa é viver como se eu ainda não possuísse um lar e precisasse procurar muito à distância até encontrá-lo.
A casa é o centro do meu ser, onde posso ouvir a voz que diz: “Você é o meu Filho Amado, sobre você ponho todo o meu carinho” – a mesma voz que deu vida ao primeiro Adão e falou a Jesus, o segundo Adão; a mesma voz que fala a todos os filhos de Deus e que os liberta para viver no meio de um mundo sombrio embora permanecendo na luz.
Hoje vejo o filho pródigo como aquele que entendeu quem ele era naquela família, quem era seu pai, aquele que entendia a graça que havia no coração do pai.

O significado do retorno do filho mais jovem é concisamente expresso nas palavras: “Pai.. não sou mais digno de ser chamado teu filho”. Ele compreende que deixou de ser digno de sua filiação, mas ao mesmo tempo compreende que ele é na verdade o filho detentor desse privilégio que pôs a perder.
...
Quando percebeu que queria ser tratado como um dos porcos, entendeu que não era um porco, mas um ser humano, um filho de seu pai. A partir dessa compreensão é que optou por viver e não morrer. Uma vez que entrou novamente em contato com a realidade de sua filiação, ele podia ouvir-embora vagamente- a voz chamando-o de Amado e sentiu – embora à distância – o toque da benção. Essa certeza e confiança no amor de Deus, mesmo que não muito precisa, deu-lhe força para reclamar os seus direitos de filho, apesar de desprovido de qualquer mérito.
Em minha caminhada cristã vi tantos que considerava mais pecadores que eu desfrutando das bênçãos de Deus e, como o filho mais velho questionava a justiça. Hoje entendo que só posso desfrutar das bênçãos de Deus, quem crê na Graça concedida através do sacrifício de Cristo na cruz.
Que venhamos desfrutar mais da graça de Deus e confiar menos nos nossos méritos.



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